31.5.03
E N T R E V I S T A -> Poliana Zilli, Cineclube Unesp
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 5
---
"É moda falar de favelas"
Equipe – Mudando de assunto, vamos falar um pouco de cinema nacional.
Poliana – Cidade de Deus. Se você quer ganhar um prêmio de cinema, basta fazer um filme com temática social: é moda falar de favelas, de pobreza.
Mas na verdade, o problema é que o cinema nacional tem muita dificuldade de crescer porque um filme dos Estados Unidos já vem para cá pago, isto é, ele já conseguiu cobrir o seu custo com a bilheteria de lá. Então ele pode gastar tudo em publicidade por aqui. Tudo o que sair daqui é lucro para os produtores, o filme já foi pago mesmo. Como competir?
Equipe – Em relação a atual produção do Brasil, do que você mais tem gostado?
Poliana – Ultimamente eu ando muito centrada no cinema nacional e no latino-americano. A Globo Filmes está tendo um papel importante, produzindo muita coisa de qualidade. Até por pertencer às organizações Globo, ela tem conseguido se destacar. A Fundação Padre Anchieta também é fundamental, fazendo principalmente filmes que são exibidos pela TV Cultura.
Gostei de Cidade de Deus. Interessante isso do [diretor] Fernando Meirelles ter vindo da publicidade. Os comerciais de televisão exigem qualidade de som e imagem, por isso os publicitários conseguem fazer um filme muito bom, com uma linguagem rápida de vídeo-clipe. Vou ser sincera: fui ver Cidade de Deus com certo preconceito. Eu pensava que era apenas modismo, mas acabei gostando.
Há também um outro filme muito bom, Lavoura Arcaica. O diretor, Fernando Carvalho, veio da TV Globo, da série Os Maias. Uma série primorosa, aliás. De vez em quando a Globo produz umas séries com qualidade de cinema.
Equipe – Houve um período muito ruim para o cinema nacional. Mas agora parece que novos bons filmes estão surgindo. Qual sua opinião sobre isso?
Poliana – Na década de 90, com leis de incentivo, o cinema nacional evoluiu muito. Antes disso, o que tínhamos de importante? O Cinema Novo, anos 50 e 60...
Mas ainda tem muitos preconceitos contra filme brasileiro.
CONTINUA...
---
Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 5
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"É moda falar de favelas"
Equipe – Mudando de assunto, vamos falar um pouco de cinema nacional.
Poliana – Cidade de Deus. Se você quer ganhar um prêmio de cinema, basta fazer um filme com temática social: é moda falar de favelas, de pobreza.
Mas na verdade, o problema é que o cinema nacional tem muita dificuldade de crescer porque um filme dos Estados Unidos já vem para cá pago, isto é, ele já conseguiu cobrir o seu custo com a bilheteria de lá. Então ele pode gastar tudo em publicidade por aqui. Tudo o que sair daqui é lucro para os produtores, o filme já foi pago mesmo. Como competir?
Equipe – Em relação a atual produção do Brasil, do que você mais tem gostado?
Poliana – Ultimamente eu ando muito centrada no cinema nacional e no latino-americano. A Globo Filmes está tendo um papel importante, produzindo muita coisa de qualidade. Até por pertencer às organizações Globo, ela tem conseguido se destacar. A Fundação Padre Anchieta também é fundamental, fazendo principalmente filmes que são exibidos pela TV Cultura.
Gostei de Cidade de Deus. Interessante isso do [diretor] Fernando Meirelles ter vindo da publicidade. Os comerciais de televisão exigem qualidade de som e imagem, por isso os publicitários conseguem fazer um filme muito bom, com uma linguagem rápida de vídeo-clipe. Vou ser sincera: fui ver Cidade de Deus com certo preconceito. Eu pensava que era apenas modismo, mas acabei gostando.
Há também um outro filme muito bom, Lavoura Arcaica. O diretor, Fernando Carvalho, veio da TV Globo, da série Os Maias. Uma série primorosa, aliás. De vez em quando a Globo produz umas séries com qualidade de cinema.
Equipe – Houve um período muito ruim para o cinema nacional. Mas agora parece que novos bons filmes estão surgindo. Qual sua opinião sobre isso?
Poliana – Na década de 90, com leis de incentivo, o cinema nacional evoluiu muito. Antes disso, o que tínhamos de importante? O Cinema Novo, anos 50 e 60...
Mas ainda tem muitos preconceitos contra filme brasileiro.
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
29.5.03
eu só acho, na minha humilde opinião, que você deveria clicar no linque abaixo.
é uma viagem gratuita ao infinito!
dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho dentro do espelho
Fala aí!
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E N T R E V I S T A -> Poliana Zilli, Cineclube Unesp
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 4
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"O povo é ignorante"
Equipe – Uma última pergunta sobre o Cineclube: o que está pretendendo fazer em 2003? Você comentou um ciclo de humor...
Poliana – É, assim que conseguirmos a sala, vamos abrir com Woody Allen, depois Jacques Tatit, Chaplin, Cacá Diegues, todos com filmes humorísticos.
O segundo ciclo também já está planejado. Vamos apoiar o movimento estudantil com a campanha “Eu quero uma casa no Câmpus”, pela moradia universitária. A idéia é mostrarmos filmes tratando dessa temática política, não se restringindo somente à questão da moradia.
Também pretendemos exibir Fellini este ano, pois faz tempo que o pessoal está pedindo.
Equipe – O Império em guerra tem sido o grande destaque do momento. Como você vê os filmes que tratam do tema?
Poliana – É só ir na locadora e conferir o oportunismo: há muitos lançamentos abordando a guerra. Falcão Negro em Perigo, por exemplo. Sempre tem cinema de guerra, mas agora parece que tem mais.
É toda uma ideologia a favor dos Estados Unidos, como Pear Harbor em que o público fica com raiva dos japoneses. O povo desinformado acaba assimilando a ideologia do filme. O governo americano usa Hollywood como propaganda, desde o começo da história do cinema. Hollywood é a maior agência de propaganda dos Estados Unidos.
Eu até falo: não me conformo com a alienação dos norte-americanos. Mas no fundo, eles não têm culpa, porque a propaganda de lá é muito forte. Todo filme dos Estados Unidos a que assistimos tem a bandeira deles, são extremamente patrióticos, e o povo acredita nisso! O espectador tem uma visão de ‘país perfeito’.
Equipe – Você não gosta mesmo de cinema americano...
Poliana – É claro que tem exceções. Tem filmes americanos que gosto: Quero ser John Malkovich, Beleza Americana...
Equipe – Ainda sobre a guerra, como você acha que o cinema vai retratar o momento em que estamos vivendo hoje?
Poliana – Acredito que o cinema fora dos Estados Unidos vai mostrar o lado negativo da guerra, posicionando-se contra o Império. A propósito, Terra de Ninguém, por exemplo, é um filme que mostra como a ONU nunca serviu ao mundo e sim a alguns interesses próprios.
Agora por parte dos Estados Unidos, salvo raras exceções, a grande maioria dos cineastas produzirá os famosos épicos de guerra, como sempre. Por isso eu digo, quem baseia os seus conhecimentos no cinema americano, está perdido.
Equipe – Você insiste neste ponto: o público é manipulado pelas idéias do cinema?
Poliana – Em Terra em Transe, do Glauber Rocha, o poeta fala: ‘O povo é um ignorante, o povo é burro’. E é mesmo! Essa visão não é uma visão prepotente, é apenas uma visão realista. É um problema social, político.
Equipe – Você acredita que os filmes dos Estados Unidos querem introduzir o modo de vida americano nos outros países?
Poliana – Sim, completamente. Minha irmã é um exemplo claro disto: até há pouco tempo adorava os Estados Unidos, teve festa de quinze anos cujo tema foi os Estados Unidos...
Os filmes fazem as pessoas olharem para os Estados Unidos com glamour. Elas não têm senso crítico, então absorvem aquelas cenas de todo filme norte-americano: a bandeira azul e vermelha, as calças jeans que todos usam, a coca-cola que todos bebem. A indústria faz uma propaganda violenta no cinema e isso mexe com o imaginário das pessoas. Eu mesma às vezes me imagino dançando e um monte de gente surgindo atrás, tipo Embalos de Sábado Á Noite (risos)
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 4
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"O povo é ignorante"
Equipe – Uma última pergunta sobre o Cineclube: o que está pretendendo fazer em 2003? Você comentou um ciclo de humor...
Poliana – É, assim que conseguirmos a sala, vamos abrir com Woody Allen, depois Jacques Tatit, Chaplin, Cacá Diegues, todos com filmes humorísticos.
O segundo ciclo também já está planejado. Vamos apoiar o movimento estudantil com a campanha “Eu quero uma casa no Câmpus”, pela moradia universitária. A idéia é mostrarmos filmes tratando dessa temática política, não se restringindo somente à questão da moradia.
Também pretendemos exibir Fellini este ano, pois faz tempo que o pessoal está pedindo.
Equipe – O Império em guerra tem sido o grande destaque do momento. Como você vê os filmes que tratam do tema?
Poliana – É só ir na locadora e conferir o oportunismo: há muitos lançamentos abordando a guerra. Falcão Negro em Perigo, por exemplo. Sempre tem cinema de guerra, mas agora parece que tem mais.
É toda uma ideologia a favor dos Estados Unidos, como Pear Harbor em que o público fica com raiva dos japoneses. O povo desinformado acaba assimilando a ideologia do filme. O governo americano usa Hollywood como propaganda, desde o começo da história do cinema. Hollywood é a maior agência de propaganda dos Estados Unidos.
Eu até falo: não me conformo com a alienação dos norte-americanos. Mas no fundo, eles não têm culpa, porque a propaganda de lá é muito forte. Todo filme dos Estados Unidos a que assistimos tem a bandeira deles, são extremamente patrióticos, e o povo acredita nisso! O espectador tem uma visão de ‘país perfeito’.
Equipe – Você não gosta mesmo de cinema americano...
Poliana – É claro que tem exceções. Tem filmes americanos que gosto: Quero ser John Malkovich, Beleza Americana...
Equipe – Ainda sobre a guerra, como você acha que o cinema vai retratar o momento em que estamos vivendo hoje?
Poliana – Acredito que o cinema fora dos Estados Unidos vai mostrar o lado negativo da guerra, posicionando-se contra o Império. A propósito, Terra de Ninguém, por exemplo, é um filme que mostra como a ONU nunca serviu ao mundo e sim a alguns interesses próprios.
Agora por parte dos Estados Unidos, salvo raras exceções, a grande maioria dos cineastas produzirá os famosos épicos de guerra, como sempre. Por isso eu digo, quem baseia os seus conhecimentos no cinema americano, está perdido.
Equipe – Você insiste neste ponto: o público é manipulado pelas idéias do cinema?
Poliana – Em Terra em Transe, do Glauber Rocha, o poeta fala: ‘O povo é um ignorante, o povo é burro’. E é mesmo! Essa visão não é uma visão prepotente, é apenas uma visão realista. É um problema social, político.
Equipe – Você acredita que os filmes dos Estados Unidos querem introduzir o modo de vida americano nos outros países?
Poliana – Sim, completamente. Minha irmã é um exemplo claro disto: até há pouco tempo adorava os Estados Unidos, teve festa de quinze anos cujo tema foi os Estados Unidos...
Os filmes fazem as pessoas olharem para os Estados Unidos com glamour. Elas não têm senso crítico, então absorvem aquelas cenas de todo filme norte-americano: a bandeira azul e vermelha, as calças jeans que todos usam, a coca-cola que todos bebem. A indústria faz uma propaganda violenta no cinema e isso mexe com o imaginário das pessoas. Eu mesma às vezes me imagino dançando e um monte de gente surgindo atrás, tipo Embalos de Sábado Á Noite (risos)
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
25.5.03
O Jornalismo enquanto opção de vida
Edison Veiga Junior
Ser jornalista não é apenas escrever bonitinho ou ter credenciais para entrar em qualquer lugar a qualquer momento. Tampouco vale aquela imagem típica de filme americano, em que o jornalista é um herói que tudo pode e – mais ainda – tudo consegue para salvar o mundo. Jornalista é, antes de mais nada, um ser humano, sujeito a acertos e erros como qualquer outro.
Diversas análises tentam desvendar o fascínio que o ofício jornalístico exerce sobre as pessoas. Contudo, cada vez mais se tem a certeza de que não corresponde à realidade aquele mito do Clark Kent que se transforma em super-homem no exercício da profissão
Para ler o restante, clique aqui.
Fala aí!
Edison Veiga Junior
Ser jornalista não é apenas escrever bonitinho ou ter credenciais para entrar em qualquer lugar a qualquer momento. Tampouco vale aquela imagem típica de filme americano, em que o jornalista é um herói que tudo pode e – mais ainda – tudo consegue para salvar o mundo. Jornalista é, antes de mais nada, um ser humano, sujeito a acertos e erros como qualquer outro.
Diversas análises tentam desvendar o fascínio que o ofício jornalístico exerce sobre as pessoas. Contudo, cada vez mais se tem a certeza de que não corresponde à realidade aquele mito do Clark Kent que se transforma em super-homem no exercício da profissão
Para ler o restante, clique aqui.
Fala aí!
E N T R E V I S T A -> Poliana Zilli, Cineclube Unesp
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 3
---
"Minha crítica é aos críticos"
Equipe – De uma maneira geral, como foi o ano de 2002 para o Cineclube?
Poliana – Foi positivo, ainda mais pela entrada de mais duas pessoas que me ajudam na organização e tal. Sempre surgem novas pessoas dispostas a ajudar, mas elas somem depois. Com a Fernanda e a Marina foi diferente: elas estão sempre a fim de trabalhar.
Também foi positivo pelo retorno que a gente obtém das pessoas, que sempre dão opiniões, sugerem filmes, reclamam quando não tem sessão...
Equipe – Qual a motivação que você tem para fazer esse projeto? É somente por gostar do assunto ou é também porque você pretende seguir nessa área futuramente?
Poliana – Eu sempre gostei de cinema, mas antes eu não conhecia cinema. Eu gostava dos enlatados hollywoodianos, porque eu não conhecia outros tipos de filmes. Na faculdade, eu tive oportunidade de entrar em contato com diferentes vertentes do cinema. E o Cineclube me ajudou muito nesta parte, porque eu tenho de pesquisar sobre o filme e acabei conhecendo muitas coisas.
Mas a Universidade é muito carente na área de cinema. O curso de Artes, por exemplo, não tem nenhum disciplina relacionada ao cinema. Mesmo os cursos de Comunicação poderiam ter algo dessa área. Eu lamento muito isso porque eu tenho paixão por cinema. É um amor platônico, mas eu quero sempre conhecer mais sobre cinema. As pessoas geralmente têm uma paixão carnal: ‘é com ele ou ela que eu quero me casar, viver a vida toda’. Essa paixão eu sinto pelo cinema!
Equipe – Mas você pensa em trabalhar como crítica de cinema?
Poliana – Não. Quero trabalhar com cinema mesmo. Tanto é que eu vou me formar este ano e depois vou para a Espanha estudar o cinema espanhol, Almodóvar e tal. Vou lá para trabalhar, nesse esquema: vou estudar como autodidata, do jeito que tenho feito aqui, correndo atrás mesmo. Gosto do cinema europeu. As pessoas deveriam conhecê-lo mais, pois iriam se apaixonar também.
Equipe – Então não vai associar o jornalismo com o cinema para fazer crítica especializada?
Poliana – Não. O que mais me incomoda é crítico. Vejo um despreparo muito grande. Não quero seguir esse caminho. Eles são muito acadêmicos, não conhecem a prática e querem a ‘perfeição’. Ficam supondo o que é cinema, sem saber. Como se houvesse uma fórmula ideal para se fazer cinema.
Outra coisa: cinema é entretenimento. É arte, mas é entretenimento. Claro que não pode se vender totalmente ao mercado, mas o bom filme pra mim é o que consegue se inserir no mercado sem perder sua ideologia. Porque é claro que o artista pensa em vender sua obra. Ele precisa sobreviver.
Essa é a crítica que eu tenho contra os críticos. O Ismail Xavier, por exemplo, saiu da USP e se acha o dono da verdade.
CONTINUA...
---
Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste bológue -
PARTE 3
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"Minha crítica é aos críticos"
Equipe – De uma maneira geral, como foi o ano de 2002 para o Cineclube?
Poliana – Foi positivo, ainda mais pela entrada de mais duas pessoas que me ajudam na organização e tal. Sempre surgem novas pessoas dispostas a ajudar, mas elas somem depois. Com a Fernanda e a Marina foi diferente: elas estão sempre a fim de trabalhar.
Também foi positivo pelo retorno que a gente obtém das pessoas, que sempre dão opiniões, sugerem filmes, reclamam quando não tem sessão...
Equipe – Qual a motivação que você tem para fazer esse projeto? É somente por gostar do assunto ou é também porque você pretende seguir nessa área futuramente?
Poliana – Eu sempre gostei de cinema, mas antes eu não conhecia cinema. Eu gostava dos enlatados hollywoodianos, porque eu não conhecia outros tipos de filmes. Na faculdade, eu tive oportunidade de entrar em contato com diferentes vertentes do cinema. E o Cineclube me ajudou muito nesta parte, porque eu tenho de pesquisar sobre o filme e acabei conhecendo muitas coisas.
Mas a Universidade é muito carente na área de cinema. O curso de Artes, por exemplo, não tem nenhum disciplina relacionada ao cinema. Mesmo os cursos de Comunicação poderiam ter algo dessa área. Eu lamento muito isso porque eu tenho paixão por cinema. É um amor platônico, mas eu quero sempre conhecer mais sobre cinema. As pessoas geralmente têm uma paixão carnal: ‘é com ele ou ela que eu quero me casar, viver a vida toda’. Essa paixão eu sinto pelo cinema!
Equipe – Mas você pensa em trabalhar como crítica de cinema?
Poliana – Não. Quero trabalhar com cinema mesmo. Tanto é que eu vou me formar este ano e depois vou para a Espanha estudar o cinema espanhol, Almodóvar e tal. Vou lá para trabalhar, nesse esquema: vou estudar como autodidata, do jeito que tenho feito aqui, correndo atrás mesmo. Gosto do cinema europeu. As pessoas deveriam conhecê-lo mais, pois iriam se apaixonar também.
Equipe – Então não vai associar o jornalismo com o cinema para fazer crítica especializada?
Poliana – Não. O que mais me incomoda é crítico. Vejo um despreparo muito grande. Não quero seguir esse caminho. Eles são muito acadêmicos, não conhecem a prática e querem a ‘perfeição’. Ficam supondo o que é cinema, sem saber. Como se houvesse uma fórmula ideal para se fazer cinema.
Outra coisa: cinema é entretenimento. É arte, mas é entretenimento. Claro que não pode se vender totalmente ao mercado, mas o bom filme pra mim é o que consegue se inserir no mercado sem perder sua ideologia. Porque é claro que o artista pensa em vender sua obra. Ele precisa sobreviver.
Essa é a crítica que eu tenho contra os críticos. O Ismail Xavier, por exemplo, saiu da USP e se acha o dono da verdade.
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
24.5.03
APELO SENTIMENTAL
Edison Veiga Junior
(Naquela quarta-feira fatídica, depois dos poréns e dos entretantos, nada mais me faltava acontecer. Tanto que quando cheguei à aula de italiano:
- Ciao, Edison. Buona sera!
Meu ímpeto foi entender a costumeira saudação como uma despedida, dar meia-volta volver e zum! – zarpar feito vento de volta para o infinito donde vim. Mas não:
- Buona sera professoressa. Come stai?
- Beníssima, grazie. E tu?
- Bene, professoressa, bene. Soltanto um poco stanco, io credo...
Mas me faltava a firmeza e o brilho no olhar. Estava velho, nem reflexo no espelho tinha mais e meu peito arfava feito solilóquio doente.)
***
Trago as coisas belas no olhar: o brilho e a incompletude efêmera do teu sorriso preso em minhas retinas e o jeito triste de meu ser conduzindo-nos à imperfeição de errarmos sempre.
O que? Quer mesmo ler o resto? Clique aqui!
Fala aí!
E N T R E V I S T A -> Poliana Zilli, Cineclube Unesp
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste blog -
PARTE 2
---
Luz, câmera, ação!
Equipe – Primeiro, uma pergunta óbvia, mas necessária: quando e como começou o Cineclube?
Poliana – Existiu em 1999 uma primeira experiência de Cineclube que acabou não dando certo. Entrei na Unesp em 2000 e queria fazer algo relacionado ao cinema. Indicaram-me o professor [Marcelo] Bulhões [do Departamento de Ciências Humanas], a pessoa do câmpus mais envolvida com o assunto. Na Unesp de Bauru não tem professor de cinema, embora haja cursos de Artes e de Rádio e TV.
O Bulhões acabou aceitando meu projeto e, em 2001, reiniciamos o Cineclube, de maneira independente do grupo anterior. Começamos apresentando clássicos como Cidadão Kane, do Orson Welles, e Terra em Transe, do Glauber Rocha, por exemplo. No começo muitos estavam envolvidos no projeto, tinha uma galera que trabalhava, mas depois o pessoal foi desistindo e fiquei só eu. Em 2002 chegaram a Marina [Trombim, 2.º ano de Jornalismo] e a Fernanda [Cristina da Silva, também 2.º ano de Jornalismo] e agora estamos nós três. Vamos ver se conseguimos mais gente pra ajudar, quem sabe uns bixos, porque queremos levar adiante o projeto.
Este ano estamos para começar o Gecine (Grupo de Estudos de Cinema), que se reunirá semanalmente para discutir cinema. Queremos nos encontrar para debater e assistir a filmes, mas é um projeto paralelo e independente do Cineclube.
Equipe – A Universidade dá algum apoio ao Cineclube? Por exemplo: quem paga o aluguel das fitas?
Poliana – Eles disponibilizaram a videoteca da Unesp. Só que o acervo é muito restrito, não seria suficiente. Então no começo eu alugava os vídeos do meu bolso, mas depois decidi conversar com o dono da locadora [Vídeo Imagem] e ele topou ceder as fitas em troca da propagandinha que fazemos deles, antes das sessões e nos cartazes de divulgação.
Assim, a Unesp ajuda só com a sala e o xerox para fazer os cartazes. E a sala é um problema, pois usávamos a 2A que, tecnicamente, pertence à pós-graduação da FAAC [Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação]. Este ano ainda não conseguimos a liberação da sala, que parece que será ocupada todo dia pela pós. Ainda estamos sem espaço, por isso não começamos com os filmes. Já fomos atrás da sala 1, da sala 2, mas a burocracia da Unesp está atrapalhando. É complicado isso, mesmo porque o Cineclube não traz nenhum custo para a Universidade e temos conseguido um público bom, com média de 70, 80 pessoas por dia de exibição. A Sala de Vídeo do Centro Cultural não consegue nem metade disso.
Equipe – E os palestrantes? Toda semana alguém comenta o filme... Como vocês fazem a escolha?
Poliana – Essa é a parte mais difícil. Nós definimos em reunião, mas não é nada fácil. Procuramos ir atrás de quem gosta do tipo do filme. Por exemplo, o professor Murilo [César Soares, do departamento de Ciências Humanas] gosta de cinema alemão... e do Fellini também. A professora Maria do Carmo [também do departamento de Ciências Humanas] tem um trabalho sobre o [Jacques] Tatit. Aliás, nós pretendemos em breve fazer um ciclo de humor que vai ter um filme do Tatit.
Às vezes não conseguimos um palestrante que fale especificamente sobre o filme, então alguém fala sobre cinema em geral ou algum aspecto específico. Por causa dessas dificuldades de encontrar palestrantes, nós do Cineclube estamos pensando que, quando precisar, nós mesmas podemos pesquisar sobre o filme e falar sobre ele.
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste blog -
PARTE 2
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Luz, câmera, ação!
Equipe – Primeiro, uma pergunta óbvia, mas necessária: quando e como começou o Cineclube?
Poliana – Existiu em 1999 uma primeira experiência de Cineclube que acabou não dando certo. Entrei na Unesp em 2000 e queria fazer algo relacionado ao cinema. Indicaram-me o professor [Marcelo] Bulhões [do Departamento de Ciências Humanas], a pessoa do câmpus mais envolvida com o assunto. Na Unesp de Bauru não tem professor de cinema, embora haja cursos de Artes e de Rádio e TV.
O Bulhões acabou aceitando meu projeto e, em 2001, reiniciamos o Cineclube, de maneira independente do grupo anterior. Começamos apresentando clássicos como Cidadão Kane, do Orson Welles, e Terra em Transe, do Glauber Rocha, por exemplo. No começo muitos estavam envolvidos no projeto, tinha uma galera que trabalhava, mas depois o pessoal foi desistindo e fiquei só eu. Em 2002 chegaram a Marina [Trombim, 2.º ano de Jornalismo] e a Fernanda [Cristina da Silva, também 2.º ano de Jornalismo] e agora estamos nós três. Vamos ver se conseguimos mais gente pra ajudar, quem sabe uns bixos, porque queremos levar adiante o projeto.
Este ano estamos para começar o Gecine (Grupo de Estudos de Cinema), que se reunirá semanalmente para discutir cinema. Queremos nos encontrar para debater e assistir a filmes, mas é um projeto paralelo e independente do Cineclube.
Equipe – A Universidade dá algum apoio ao Cineclube? Por exemplo: quem paga o aluguel das fitas?
Poliana – Eles disponibilizaram a videoteca da Unesp. Só que o acervo é muito restrito, não seria suficiente. Então no começo eu alugava os vídeos do meu bolso, mas depois decidi conversar com o dono da locadora [Vídeo Imagem] e ele topou ceder as fitas em troca da propagandinha que fazemos deles, antes das sessões e nos cartazes de divulgação.
Assim, a Unesp ajuda só com a sala e o xerox para fazer os cartazes. E a sala é um problema, pois usávamos a 2A que, tecnicamente, pertence à pós-graduação da FAAC [Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação]. Este ano ainda não conseguimos a liberação da sala, que parece que será ocupada todo dia pela pós. Ainda estamos sem espaço, por isso não começamos com os filmes. Já fomos atrás da sala 1, da sala 2, mas a burocracia da Unesp está atrapalhando. É complicado isso, mesmo porque o Cineclube não traz nenhum custo para a Universidade e temos conseguido um público bom, com média de 70, 80 pessoas por dia de exibição. A Sala de Vídeo do Centro Cultural não consegue nem metade disso.
Equipe – E os palestrantes? Toda semana alguém comenta o filme... Como vocês fazem a escolha?
Poliana – Essa é a parte mais difícil. Nós definimos em reunião, mas não é nada fácil. Procuramos ir atrás de quem gosta do tipo do filme. Por exemplo, o professor Murilo [César Soares, do departamento de Ciências Humanas] gosta de cinema alemão... e do Fellini também. A professora Maria do Carmo [também do departamento de Ciências Humanas] tem um trabalho sobre o [Jacques] Tatit. Aliás, nós pretendemos em breve fazer um ciclo de humor que vai ter um filme do Tatit.
Às vezes não conseguimos um palestrante que fale especificamente sobre o filme, então alguém fala sobre cinema em geral ou algum aspecto específico. Por causa dessas dificuldades de encontrar palestrantes, nós do Cineclube estamos pensando que, quando precisar, nós mesmas podemos pesquisar sobre o filme e falar sobre ele.
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
23.5.03
A DOR DA GENTE NÃO SAI NO JORNAL
Edison Veiga Junior
A chuva que chovia torrencialmente eram as lágrimas dos anjos que choravam a morte de Deus. Sim, porque assim falou Zaratustra: Deus está morto. Mas eu não sei quem o matei.
Via a chuva chover encastelado em minha casa. Não trajava sóbrio luto, nem para espantar a iconoclastia ou afugentar as suspeitas que naturalmente me caíam. Sempre detestei a anacronia desses cerimoniais, ritos e/ou resquícios de costumes tribais.
Quer ler o resto? Clique aqui!
Fala aí!
Edison Veiga Junior
A chuva que chovia torrencialmente eram as lágrimas dos anjos que choravam a morte de Deus. Sim, porque assim falou Zaratustra: Deus está morto. Mas eu não sei quem o matei.
Via a chuva chover encastelado em minha casa. Não trajava sóbrio luto, nem para espantar a iconoclastia ou afugentar as suspeitas que naturalmente me caíam. Sempre detestei a anacronia desses cerimoniais, ritos e/ou resquícios de costumes tribais.
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E N T R E V I S T A -> Poliana Zilli, Cineclube Unesp
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste blog -
PARTE 1
---
“O Cinema é minha paixão”
Poliana Zilli, a idealizadora do Cineclube Unesp, revela o que pensa sobre a sétima arte e conta quais são os planos que tem em mente
Para esta paulistana de 21 anos, a sétima arte é, como diria Beethoven, o seu es muss sein, a sua razão de ser, o seu “amor platônico”. Poliana Zilli, aluna do 4.º ano de jornalismo, é a responsável pelo Cineclube, projeto que proporciona sessões semanais de cinema aos unespianos de Bauru, seguidas de uma palestra a respeito do filme exibido. “As pessoas geralmente têm uma paixão carnal. Olham para alguém e dizem ‘é com ele ou ela que quero me casar, viver a vida toda’. Essa paixão eu sinto pelo cinema”, diz, num misto de êxtase e entusiasmo. E é esse afeto, esse amor ardente, que a motiva a se envolver em diversos trabalhos relacionados à magia do audiovisual.
Além do Cineclube, Poliana também encabeça um programa cultural na vila Ouro Verde, levando filmes para assistir e discutir com a população do local. O próximo passo é estender a idéia ao bairro José Regino, onde ela integra o grupo de universitários que edita um jornal comunitário.
Poliana recebeu a Equipe em sua casa na terça-feira, dia 25, para um bate-papo no qual revelou o que pensa a respeito da sétima arte. Seu quarto parece exalar cinema. Há dezenas de fitas de vídeo debaixo da televisão. No mural, a família e os amigos disputam espaço com o Jedi caído, Darth Vader e com os agentes federais Mulder e Scully. Em um canto, jogado, há um enorme King Kong de pelúcia. Na janela, um Frajola parece nos espreitar. As paredes são decoradas com diversos cartazes de filmes, desses de locadora. “É para esconder os buracos”, brinca.
Durante a entrevista, Poliana gesticula, grita, prende e solta o cabelo, anda de um lado para o outro. Seus olhos verdes brilham ao falar de novos projetos. Ela suspira cada vez que ouve nomes como Akira Kurosawa e Pedro Almodóvar. A cinéfila é enérgica ao defender o cinema nacional e indomável ao atacar Hollywood e o american way of life.
CONTINUA...
---
Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
A entrevista abaixo foi realizada pela Equipe formada por Edison Veiga Junior, Vinícius Galante e Henrique Maciel. Os dois primeiros integram o time do Un_espirro. Todos cursam Jornalismo na Unesp de Bauru.
O trabalho foi originalmente concebido para a disciplina Ténicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.
- devido ao tamanho do texto, optamos por reproduzi-lo em série neste blog -
PARTE 1
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“O Cinema é minha paixão”
Poliana Zilli, a idealizadora do Cineclube Unesp, revela o que pensa sobre a sétima arte e conta quais são os planos que tem em mente
Para esta paulistana de 21 anos, a sétima arte é, como diria Beethoven, o seu es muss sein, a sua razão de ser, o seu “amor platônico”. Poliana Zilli, aluna do 4.º ano de jornalismo, é a responsável pelo Cineclube, projeto que proporciona sessões semanais de cinema aos unespianos de Bauru, seguidas de uma palestra a respeito do filme exibido. “As pessoas geralmente têm uma paixão carnal. Olham para alguém e dizem ‘é com ele ou ela que quero me casar, viver a vida toda’. Essa paixão eu sinto pelo cinema”, diz, num misto de êxtase e entusiasmo. E é esse afeto, esse amor ardente, que a motiva a se envolver em diversos trabalhos relacionados à magia do audiovisual.
Além do Cineclube, Poliana também encabeça um programa cultural na vila Ouro Verde, levando filmes para assistir e discutir com a população do local. O próximo passo é estender a idéia ao bairro José Regino, onde ela integra o grupo de universitários que edita um jornal comunitário.
Poliana recebeu a Equipe em sua casa na terça-feira, dia 25, para um bate-papo no qual revelou o que pensa a respeito da sétima arte. Seu quarto parece exalar cinema. Há dezenas de fitas de vídeo debaixo da televisão. No mural, a família e os amigos disputam espaço com o Jedi caído, Darth Vader e com os agentes federais Mulder e Scully. Em um canto, jogado, há um enorme King Kong de pelúcia. Na janela, um Frajola parece nos espreitar. As paredes são decoradas com diversos cartazes de filmes, desses de locadora. “É para esconder os buracos”, brinca.
Durante a entrevista, Poliana gesticula, grita, prende e solta o cabelo, anda de um lado para o outro. Seus olhos verdes brilham ao falar de novos projetos. Ela suspira cada vez que ouve nomes como Akira Kurosawa e Pedro Almodóvar. A cinéfila é enérgica ao defender o cinema nacional e indomável ao atacar Hollywood e o american way of life.
CONTINUA...
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Entrevista realizada por: Edison Veiga Junior, Henrique Maciel e Vinícius Galante
Texto inicial: Henrique Maciel e Edison Veiga Junior
Transcrição: Vinícius Galante
Edição: Edison Veiga Junior
Fala aí!
20.5.03
Não sei... só pensando...
Fala aí!
Fala aí!
se você não tiver nada melhor pra fazer e quiser ler meu pequeno ensaio a respeito do livro-reportagem, basta clicar no título abaixo. Mas lembre-se o conteúdo está vinculado ao Jornal O Taquari, o que significa que fica no ar somente até o próximo domingo, dia 25. Depois disso, não me responsabilizo por onde o linque vai levá-lo...
Os Sertões como livro-reportagem: quando Literatura e Jornalismo se fundem e confundem-se
Fala aí!
Os Sertões como livro-reportagem: quando Literatura e Jornalismo se fundem e confundem-se
Fala aí!
de bixo para gente grande!
Há um saite muito interessante na rede, que se chama jovens desinformados, ou melhor, jovens desacomodados. Se você tá a fim de dar uma passadinha por lá, é só clicar aqui.
Um dos caras que mantém o saite é nosso bixo aqui na Unesp (primeiro ano de jornalismo!), Alan de Faria.
Em tempo: a foto aí de cima é a que ilustra a matéria desta semana do saite, "Ter água significa ter poder". Como sempre, não serão pagos direitos autorais!
Fala aí!
Há um saite muito interessante na rede, que se chama jovens desinformados, ou melhor, jovens desacomodados. Se você tá a fim de dar uma passadinha por lá, é só clicar aqui.
Um dos caras que mantém o saite é nosso bixo aqui na Unesp (primeiro ano de jornalismo!), Alan de Faria.
Em tempo: a foto aí de cima é a que ilustra a matéria desta semana do saite, "Ter água significa ter poder". Como sempre, não serão pagos direitos autorais!
Fala aí!
19.5.03
18.5.03
MÉNAGE À TROIS
Edison Veiga Junior
Eram três horas da tarde quando a conheci numa terça-feira. Chovia forte mas o que escorria dos olhos dela eram lágrimas enxugadas pelas palavras belas que escorriam mais forte ainda da minha boca. A sabedoria popular diz que um incêndio se apaga com fogo de encontro; eis o princípio, aliás, da homeopatia.
Trocamos telefones e promessas de nos vermos novamente. Quando cheguei ao meu prédio, percebi que o elevador seria incapaz de elevar a minha dor à enésima potência, porque esta já estava em seu infinito máximo. Mas dava um gostinho de saudade. Quando entrei em meu apartamento, fiquei em dúvida: “aperta ou aumento?” mas abri a janela e respirei o ar fétido que emana da rua logo abaixo e seus carros fumantes. As placas de PARE deviam conter advertências do Ministério da Saúde.
Na quarta tinha um recado dela na caixa postal.
Para saber como termina a história, clique aqui.

Fala aí!
Edison Veiga Junior
Eram três horas da tarde quando a conheci numa terça-feira. Chovia forte mas o que escorria dos olhos dela eram lágrimas enxugadas pelas palavras belas que escorriam mais forte ainda da minha boca. A sabedoria popular diz que um incêndio se apaga com fogo de encontro; eis o princípio, aliás, da homeopatia.
Trocamos telefones e promessas de nos vermos novamente. Quando cheguei ao meu prédio, percebi que o elevador seria incapaz de elevar a minha dor à enésima potência, porque esta já estava em seu infinito máximo. Mas dava um gostinho de saudade. Quando entrei em meu apartamento, fiquei em dúvida: “aperta ou aumento?” mas abri a janela e respirei o ar fétido que emana da rua logo abaixo e seus carros fumantes. As placas de PARE deviam conter advertências do Ministério da Saúde.
Na quarta tinha um recado dela na caixa postal.
Para saber como termina a história, clique aqui.
Fala aí!
SE BASTASSE UNA CANZONE
Eros Ramazzotti
Se bastasse una bella canzone
a far piovere amore
si potrebbe cantarla un milione
un milione di volte
bastasse già, bastasse già
non ci vorrebbe poi tanto a imparare
ad amare di più...
Se bastasse una buona canzone
a far dare una mano
si potrebbe trovarla nel cuore
senza andare lontano
bastasse già, bastasse già
non ci sarebbe bisogno
di chiedere la carità...
Dedicato a tutti quelli che
sono allo sbando
dedicato a tutti quelli che
non hanno avuto ancora niente
e sono ai margini da sempre
dedicato a tutti quelli che
stanno aspettando
dedicato a tutti quelli che
rimangono dei sognatori
per questo sempre più da soli...
Se bastasse una grande canzone
per parlare di pace
si potrebbe chiamarla per nome
aggiungendo una voce,
e un´altra poi,
fin che diventa di un solo colore
più vivo che mai...
Dedicato a tutti quelli che
sono allo sbando
dedicato a tutti quelli che
hanno provato ad inventare
una canzone per cambiare
dedicato a tutti quelli che
stanno aspettando
dedicato a tutti quelli che
venuti su con troppo vento
quei tempo gli è rimasto dentro...
dedicato a tutti quelli che
in ogni senso
hanno creduto, cercato e voluto
che fosse cosi...
Fala aí!
Eros Ramazzotti
Se bastasse una bella canzone
a far piovere amore
si potrebbe cantarla un milione
un milione di volte
bastasse già, bastasse già
non ci vorrebbe poi tanto a imparare
ad amare di più...
Se bastasse una buona canzone
a far dare una mano
si potrebbe trovarla nel cuore
senza andare lontano
bastasse già, bastasse già
non ci sarebbe bisogno
di chiedere la carità...
Dedicato a tutti quelli che
sono allo sbando
dedicato a tutti quelli che
non hanno avuto ancora niente
e sono ai margini da sempre
dedicato a tutti quelli che
stanno aspettando
dedicato a tutti quelli che
rimangono dei sognatori
per questo sempre più da soli...
Se bastasse una grande canzone
per parlare di pace
si potrebbe chiamarla per nome
aggiungendo una voce,
e un´altra poi,
fin che diventa di un solo colore
più vivo che mai...
Dedicato a tutti quelli che
sono allo sbando
dedicato a tutti quelli che
hanno provato ad inventare
una canzone per cambiare
dedicato a tutti quelli che
stanno aspettando
dedicato a tutti quelli che
venuti su con troppo vento
quei tempo gli è rimasto dentro...
dedicato a tutti quelli che
in ogni senso
hanno creduto, cercato e voluto
che fosse cosi...
Fala aí!
Uma idéia para a literatura nacional
A Bienal do Livro do Rio está em curso e qualquer observador realista pode ver que os melhores lançamentos são traduções - não estão entre as obras escritas por autores brasileiros. Sendo assim, tenho, de graça, uma idéia para a feira, que pode lançá-la em outra edição ou na versão paulista do ano que vem. Depois dela, o mercado editorial local jamais será o mesmo.
Já que o nível da literatura nacional anda tão baixo, proponho criarmos um diploma universitário obrigatório para escritores. Quem não tiver diploma, não pode publicar livro. As vantagens seriam muitas. Antes de mais nada, geraríamos empregos, e as faculdades de escritores se multiplicariam Brasil afora graças ao impulso do governo, de ONGs e de empresas que zelam por sua responsabilidade social, sem, obviamente, desamparar o Fome Zero.
A vantagem maior seria dada pelas aulas de "redação criativa" e "conhecimentos gerais" e pelos "laboratórios de idéias" que, com a divisa de Monteiro Lobato, "Um país se constrói com homens e livros", revolucionariam a literatura brasileira e o próprio Brasil. Nossas letras ganhariam a inventividade, a cultura e a densidade que lhes faltam. Teríamos uma visão muito mais aguda e rica da complexa realidade nacional.
Milhares de escritores chegariam ao mercado todo ano, inundando-o de reflexão humanista, de argumentos críticos, de imaginação verbal. Picaretas, populistas, academicistas e místicos seriam desmascarados; por meio de um rígido Provão nas universidades, eles jamais conseguiriam ter diploma de escritor e, portanto, jamais chegariam aos leitores. As seções de "Auto-ajuda" seriam naturalmente banidas pelas livrarias.
Toda a vasta subliteratura que ocupa as listas dos mais vendidos não teria vez, assim como nenhuma dessas teses ilegíveis dos mestrados e doutorados ganharia versão em livro. A Academia Brasileira de Letras seria uma usina de idéias, um "think tank" procurado por intelectuais de todo o mundo nem que fosse para sorver um pouco do seu chá. O prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, teria mais credibilidade que o Nobel.
Os escritores profissionais, em suma, não precisariam disputar mercado com pessoas de outras áreas, com aventureiros amadores, com gente frustrada que ignora as técnicas literárias e só quer a glória eterna. O padrão seria Machado de Assis ou Guimarães Rosa; qualquer autor indigno desse nível seria proibido de exercer a profissão que eles enobreceram. E o Brasil não seria apenas um país de leitores, mas um país de leitores exigentes e entusiasmados, onde toda semana seria como uma Bienal do Livro.
Texto escrito por Daniel Piza e publicado no Jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje, 18.05.2003
Fala aí!
A Bienal do Livro do Rio está em curso e qualquer observador realista pode ver que os melhores lançamentos são traduções - não estão entre as obras escritas por autores brasileiros. Sendo assim, tenho, de graça, uma idéia para a feira, que pode lançá-la em outra edição ou na versão paulista do ano que vem. Depois dela, o mercado editorial local jamais será o mesmo.
Já que o nível da literatura nacional anda tão baixo, proponho criarmos um diploma universitário obrigatório para escritores. Quem não tiver diploma, não pode publicar livro. As vantagens seriam muitas. Antes de mais nada, geraríamos empregos, e as faculdades de escritores se multiplicariam Brasil afora graças ao impulso do governo, de ONGs e de empresas que zelam por sua responsabilidade social, sem, obviamente, desamparar o Fome Zero.
A vantagem maior seria dada pelas aulas de "redação criativa" e "conhecimentos gerais" e pelos "laboratórios de idéias" que, com a divisa de Monteiro Lobato, "Um país se constrói com homens e livros", revolucionariam a literatura brasileira e o próprio Brasil. Nossas letras ganhariam a inventividade, a cultura e a densidade que lhes faltam. Teríamos uma visão muito mais aguda e rica da complexa realidade nacional.
Milhares de escritores chegariam ao mercado todo ano, inundando-o de reflexão humanista, de argumentos críticos, de imaginação verbal. Picaretas, populistas, academicistas e místicos seriam desmascarados; por meio de um rígido Provão nas universidades, eles jamais conseguiriam ter diploma de escritor e, portanto, jamais chegariam aos leitores. As seções de "Auto-ajuda" seriam naturalmente banidas pelas livrarias.
Toda a vasta subliteratura que ocupa as listas dos mais vendidos não teria vez, assim como nenhuma dessas teses ilegíveis dos mestrados e doutorados ganharia versão em livro. A Academia Brasileira de Letras seria uma usina de idéias, um "think tank" procurado por intelectuais de todo o mundo nem que fosse para sorver um pouco do seu chá. O prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, teria mais credibilidade que o Nobel.
Os escritores profissionais, em suma, não precisariam disputar mercado com pessoas de outras áreas, com aventureiros amadores, com gente frustrada que ignora as técnicas literárias e só quer a glória eterna. O padrão seria Machado de Assis ou Guimarães Rosa; qualquer autor indigno desse nível seria proibido de exercer a profissão que eles enobreceram. E o Brasil não seria apenas um país de leitores, mas um país de leitores exigentes e entusiasmados, onde toda semana seria como uma Bienal do Livro.
Texto escrito por Daniel Piza e publicado no Jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje, 18.05.2003
Fala aí!
17.5.03
direitos humanos individuais
1. o direito de manter sua dignidade e respeito comportando-se de forma habilidosa ou assertiva - inclusive se a outra pessoa sente-se ferida - enquanto não viole os direitos humanos básicos dos outros.
2. o direito de ser tratado com respeito e dignidade.
3. o direito de negar pedidos sem ter que sentir-se culpado ou egoísta.
4. o direito de experimentar e expressar seus próprios sentimentos.
5. o direito de parar e pensar antes de agir.
6. o direito de mudar de opinião.
7. o direito de pedir o que quiser (entendendo que a outra pessoa tem o direito de dizer não).
8. o direito de fazer menos do que é humanamente capaz de fazer.
9. o direito de ser independente.
10. o direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo, tempo e propriedade.
11. o direito de pedir informação.
12. o direito de cometer erros - e ser responsável por eles.
13. o direito de sentir-se bem consigo mesmo.
14. o direito de ter suas próprias necessidades e que essas sejam tão importantes quanto as dos demais. Além disso, temos o direito de pedir (não exigir) aos demais que correspondam às necessidade e de decidir se satisfazemos aos dos demais.
15. o direito de ter opiniões e expressá-las.
16. o direito de decidir se satisfaz as expectativas de outras pessoas ou se comporta-se segundo seus interesses - sempre que não viole os direitos dos demais.
17. o direito de falar sobre o problema com a pessoa envolvida e escalrecê-lo, em casos-limite em que os direitos não estão totalmente claros.
18. o direito de obter aquilo pelo que paga.
19. o direito de escolher não comportar-se de maneira assertiva ou socialmente habilidosa.
20. o direito de ter direitos e defendê-los.
21. o direito de ser escutado e ser levado a sério.
22. o direito de estar só quando assim o quiser.
23. o direito de fazer qualquer coisa enquanto não viole os direitos de outra pessoa.
baseado principalmente em "The rights and responsabilities", de Jakubowski e Lange.
Fala aí!
1. o direito de manter sua dignidade e respeito comportando-se de forma habilidosa ou assertiva - inclusive se a outra pessoa sente-se ferida - enquanto não viole os direitos humanos básicos dos outros.
2. o direito de ser tratado com respeito e dignidade.
3. o direito de negar pedidos sem ter que sentir-se culpado ou egoísta.
4. o direito de experimentar e expressar seus próprios sentimentos.
5. o direito de parar e pensar antes de agir.
6. o direito de mudar de opinião.
7. o direito de pedir o que quiser (entendendo que a outra pessoa tem o direito de dizer não).
8. o direito de fazer menos do que é humanamente capaz de fazer.
9. o direito de ser independente.
10. o direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo, tempo e propriedade.
11. o direito de pedir informação.
12. o direito de cometer erros - e ser responsável por eles.
13. o direito de sentir-se bem consigo mesmo.
14. o direito de ter suas próprias necessidades e que essas sejam tão importantes quanto as dos demais. Além disso, temos o direito de pedir (não exigir) aos demais que correspondam às necessidade e de decidir se satisfazemos aos dos demais.
15. o direito de ter opiniões e expressá-las.
16. o direito de decidir se satisfaz as expectativas de outras pessoas ou se comporta-se segundo seus interesses - sempre que não viole os direitos dos demais.
17. o direito de falar sobre o problema com a pessoa envolvida e escalrecê-lo, em casos-limite em que os direitos não estão totalmente claros.
18. o direito de obter aquilo pelo que paga.
19. o direito de escolher não comportar-se de maneira assertiva ou socialmente habilidosa.
20. o direito de ter direitos e defendê-los.
21. o direito de ser escutado e ser levado a sério.
22. o direito de estar só quando assim o quiser.
23. o direito de fazer qualquer coisa enquanto não viole os direitos de outra pessoa.
baseado principalmente em "The rights and responsabilities", de Jakubowski e Lange.
Fala aí!
14.5.03
vale a pena conferir a atualização da coluna vertebral de Giovana Franzolin, colaboradora deste blog.
clique aqui para ler
ela fala de cinema
Fala aí!
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ela fala de cinema
Fala aí!
12.5.03
em muito breve, ou seja, dentro de uns dois ou três anos: leia aqui!!!
matéria semi-gonzo de Elis, sobre o MST

Fala aí!
matéria semi-gonzo de Elis, sobre o MST
Fala aí!
Giovana, seja bem-vinda a este cenário de ciberdemência...
Espero sinceramente que você não se preocupe em acrescentar nada de útil ao grandioso intelecto dos nossos milhares de leitores. Mesmo porque o inútil é o sal da vida. (Ando bíblico hoje!).
Ah!!! Madrugada já me cai alta...
Páro-me.
Fala aí!
Espero sinceramente que você não se preocupe em acrescentar nada de útil ao grandioso intelecto dos nossos milhares de leitores. Mesmo porque o inútil é o sal da vida. (Ando bíblico hoje!).
Ah!!! Madrugada já me cai alta...
Páro-me.
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10.5.03
Fernanda Porto e a entrevista que não houve
A artista, uma dos novas estrelas da música brasileira, abrilhantou o SESC com um show de alto nível
BAURU - Quinta-feira, dia primeiro de maio. Feriado do dia do trabalho. Depois de uma manhã e uma tarde extremamente “cansativas”, dedicadas a livros e cinema, nada melhor do que um showzinho no SESC. A bola da vez é Fernanda Porto.
Para quem não a conhece, posso ir adiantando que essa paulistana de 33 anos está despontando como uma grande voz (e cabeça) da nova música brasileira. Formada em canto lírico, composição e regência, manuseia com perfeição os mais diversos instrumentos musicais: piano, guitarra, sax, violão, percussão e computador. Sim, computador! Estranhou? Saiba que Fernanda Porto é a pitada tupiniquim do drum’n’bass, aquele estilo eletrônico de fazer música (baixos profundos, baterias eletrônicas...). Mas ela mescla tudo com MPB.
Como de praxe em shows do SESC, há a clássica coletiva com o músico. Fiquei a semana tentando agendar a minha participação. Mas a moça não concedeu entrevista. Não, não foi só pra mim não, este reles aspirante a repórter. Ela não atendeu à imprensa bauruense. “Fernanda Porto está cansada. Acaba de chegar de Miami e não apresenta condições para uma entrevista coletiva”, informaram os promotores da apresentação. Parece que sua recente ascensão está mexendo com ela...
O show – A viagem à Miami, além de ótimo pretexto para não falar com a gente, é um bom exemplo de como Fernanda está se destacando. Grande revelação musical, ela tem arrasado nas pistas dançantes da Europa e dos Estados Unidos. Talvez sua originalidade esteja no fato de mesclar a velha bossa-nova com a nova batida eletrônica. E esse jeito brasileiro de ver o mundo (brazilian way of life?) cativa os estrangeiros, não é de hoje.
O fato é que sua apresentação é mesmo boa. O disco (seu primeiro, intitulado simplesmente “Fernanda Porto”) é bom. “Gostosíssimo!”, nas palavras da colunista do portal VivendoBauru, Giovana Franzolin, minha colega de universidade. Ninguém fica parado ao som de suas canções, e penso que talvez aí resida a vantagem: até gringo consegue dançar! Diferentemente da pura música brasileira, quando os branquelos tentam, tentam, mas não são capazes de ter o gingado e o balanço necessários. É a globalização da música, reflexos da pós-modernidade.
A maioria das canções de Fernanda é inédita. Quase todas compostas por ela mesma, algumas em parcerias com gente de peso, como por exemplo Arnaldo Antunes. Duas são roupagens novas de músicas já eternamente presentes no inconsciente coletivo do brasileiro (“Só tinha de ser com você”, de Tom Jobim, e “Sampa”, de Caetano Veloso – esta última não está presente no CD). “1999”, permeada por uma verdadeira performance de canto lírico, encantou o público.
É isso. Mesmo sem entrevista, Fernanda Porto é alguém que merece ser ouvida.
Fala aí!
A artista, uma dos novas estrelas da música brasileira, abrilhantou o SESC com um show de alto nível
BAURU - Quinta-feira, dia primeiro de maio. Feriado do dia do trabalho. Depois de uma manhã e uma tarde extremamente “cansativas”, dedicadas a livros e cinema, nada melhor do que um showzinho no SESC. A bola da vez é Fernanda Porto.
Para quem não a conhece, posso ir adiantando que essa paulistana de 33 anos está despontando como uma grande voz (e cabeça) da nova música brasileira. Formada em canto lírico, composição e regência, manuseia com perfeição os mais diversos instrumentos musicais: piano, guitarra, sax, violão, percussão e computador. Sim, computador! Estranhou? Saiba que Fernanda Porto é a pitada tupiniquim do drum’n’bass, aquele estilo eletrônico de fazer música (baixos profundos, baterias eletrônicas...). Mas ela mescla tudo com MPB.
Como de praxe em shows do SESC, há a clássica coletiva com o músico. Fiquei a semana tentando agendar a minha participação. Mas a moça não concedeu entrevista. Não, não foi só pra mim não, este reles aspirante a repórter. Ela não atendeu à imprensa bauruense. “Fernanda Porto está cansada. Acaba de chegar de Miami e não apresenta condições para uma entrevista coletiva”, informaram os promotores da apresentação. Parece que sua recente ascensão está mexendo com ela...
O show – A viagem à Miami, além de ótimo pretexto para não falar com a gente, é um bom exemplo de como Fernanda está se destacando. Grande revelação musical, ela tem arrasado nas pistas dançantes da Europa e dos Estados Unidos. Talvez sua originalidade esteja no fato de mesclar a velha bossa-nova com a nova batida eletrônica. E esse jeito brasileiro de ver o mundo (brazilian way of life?) cativa os estrangeiros, não é de hoje.
O fato é que sua apresentação é mesmo boa. O disco (seu primeiro, intitulado simplesmente “Fernanda Porto”) é bom. “Gostosíssimo!”, nas palavras da colunista do portal VivendoBauru, Giovana Franzolin, minha colega de universidade. Ninguém fica parado ao som de suas canções, e penso que talvez aí resida a vantagem: até gringo consegue dançar! Diferentemente da pura música brasileira, quando os branquelos tentam, tentam, mas não são capazes de ter o gingado e o balanço necessários. É a globalização da música, reflexos da pós-modernidade.
A maioria das canções de Fernanda é inédita. Quase todas compostas por ela mesma, algumas em parcerias com gente de peso, como por exemplo Arnaldo Antunes. Duas são roupagens novas de músicas já eternamente presentes no inconsciente coletivo do brasileiro (“Só tinha de ser com você”, de Tom Jobim, e “Sampa”, de Caetano Veloso – esta última não está presente no CD). “1999”, permeada por uma verdadeira performance de canto lírico, encantou o público.
É isso. Mesmo sem entrevista, Fernanda Porto é alguém que merece ser ouvida.
Fala aí!
9.5.03
8.5.03
AFINAL, O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO UN_ESPIRRO???
Você que faz parte do escasso grupo de leitores fiéis deste blog (gente que não tem nada melhor para fazer!) deve estar estranhando as mudanças que estamos implementando.
Devido aos famigerados conselhos de nossos assessores de marketing editorial, chegamos à conclusão de que a interatividade é a mãe do desenvolvimento cibernético nestes áureos tempos de pós-modernidade nos quais estamos (sobre-)vivendo. Portanto, estamos agregando forças, a fim de transformarmos o blog em algo de muitas facetas, numa verdade multiplicidade de pensamentos ímpares. A partir de agora, escreverão (espero!) também Giovana Franzolin, Laurinha Akemi, Carla Maria, Vinícius Galante, Cíntia Baio e Aretha Yarak. Além, é claro, de nós: Edison Veiga e Elisangela Roxo.
É isso.
Qualquer coisa, mande-nos um imêio: cocodrilianos@yahoo.com.br
Fala aí!
Você que faz parte do escasso grupo de leitores fiéis deste blog (gente que não tem nada melhor para fazer!) deve estar estranhando as mudanças que estamos implementando.
Devido aos famigerados conselhos de nossos assessores de marketing editorial, chegamos à conclusão de que a interatividade é a mãe do desenvolvimento cibernético nestes áureos tempos de pós-modernidade nos quais estamos (sobre-)vivendo. Portanto, estamos agregando forças, a fim de transformarmos o blog em algo de muitas facetas, numa verdade multiplicidade de pensamentos ímpares. A partir de agora, escreverão (espero!) também Giovana Franzolin, Laurinha Akemi, Carla Maria, Vinícius Galante, Cíntia Baio e Aretha Yarak. Além, é claro, de nós: Edison Veiga e Elisangela Roxo.
É isso.
Qualquer coisa, mande-nos um imêio: cocodrilianos@yahoo.com.br
Fala aí!
4.5.03
Hoje, domingo, 4 de maio - Dia das Mães, em Portugal.
No próximo domingo, 11 de maio - Dia das Mães, no Brasil.
***
Mãe
(Crônica dedicada ao Dia das Mães,
embora com o final inadequado, ainda que autêntico.)
Rubem Braga
O menino e seu amiguinho brincavam nas primeiras espumas; o pai fumava um cigarro na praia, batendo papo com um amigo. E o mundo era inocente, na manhã de sol.
Foi então que chegou a Mãe (esta crônica é modesta contribuição ao Dia das Mães), muito elegante em seu short, e mais ainda em seu maiô. Trouxe óculos escuros, uma esteirinha para se esticar, óleo para a pele, revista para ler, pente para se pentear - e trouxe seu coração de Mãe que imediatamente se pôs aflito achando que o menino estava muito longe e o mar estava muito forte.
Depois de fingir três vezes não ouvir seu nome gritado pelo pai, o garoto saiu do mar resmungando, mas logo voltou a se interessar pela alegria da vida, batendo bola com o amigo. Então a Mãe começou a folhear a revista mundana - "que vestido horroroso o da Marieta neste coquetel" - "que presente de casamento vamos dar à Lúcia? tem de ser uma coisa boa" - e outros pequenos assuntos sociais foram aflorados numa conversa preguiçosa. Mas de repente:
- Cadê Joãozinho?
O outro menino, interpelado, informou que Joãozinho tinha ido em casa apanhar uma bola maior.
- Meu Deus, esse menino atravessando a rua sozinho! Vai lá, João, para atravessar com ele, pelo menos na volta!
O pai (fica em minúscula; o Dia é da Mãe) achou que não era preciso:
- O menino tem OITO anos, Maria!
- OITO anos, não, oito anos, uma criança. Se todo dia morre gente grande atropelada, que dirá um menino distraído como esse!
E erguendo-se olhava os carros que passavam, todos guiados por assassinos (em potencial) de seu filhinho.
- Bem, eu vou lá só para você não ficar assustada.
Talvez a sombra do medo tivesse ganho também o coração do pai; mas quando ele se levantou e calçou a alpercata para atravessar os vinte metros de areia fofa e escaldante que o separavam da calçada, o garoto apareceu correndo alegremente com uma bola vermelha na mão, e a paz voltou a reinar sobre a face da praia.
Agora o amigo do casal estava contando pequenos escândalos de uma festa a que fora na véspera, e o casal ouvia, muito interessado - "mas a Niquinha com o coronel? não é possível!" - quando a Mãe se ergueu de repente:
- E o Joãozinho?
Os três olharam em todas as direções, sem resultado. O marido, muito calmo - "deve estar por aí", a Mãe gradativamente nervosa - "mas por aí, onde?" - o amigo otimista, mas levemente apreensivo. Havia cinco ou seis meninos dentro da água, nenhum era o Joãozinho. Na areia havia outros. Um deles, de costas, cavava um buraco com as mãos, longe.
- Joãozinho!
O pai levantou-se, foi lá, não era. Mas conseguiu encontrar o amigo do filho e perguntou por ele.
- Não sei, eu estava catando conchas, ele estava catando comigo, depois ele sumiu.
A Mãe, que viera correndo, interpelou novamente o amigo do filho. "Mas sumiu como? para onde? entrou na água? não sabe? mas que menino pateta!" O garoto, com cara de bobo, e assustado com o interrogatório, se afastava, mas a Mãe foi segurá-lo pelo braço: "Mas diga, menino, ele entrou no mar? como é que você não viu, você não estava com ele? hein? ele entrou no mar?".
- Acho que entrou... ou então foi-se embora.
De pé, lábios trêmulos, a Mãe olhava para um lado e outro, apertando bem os olhos míopes para examinar todas as crianças em volta. Todos os meninos de oito anos se parecem na praia, com seus corpinhos queimados e suas cabecinhas castanhas. E como ela queria que cada um fosse seu filho, durante um segundo cada um daqueles meninos era o seu filho, exatamente ele, enfim - mas um gesto, um pequeno movimento de cabeça, e deixava de ser. Correu para um lado e outro. De súbito ficou parada olhando o mar, olhando com tanto ódio e medo (lembrava-se muito bem da história acontecida dois a três anos antes, um menino estava na praia com os pais, eles se distraíram um instante, o menino estava brincando no rasinho, o mar o levou, o corpinho só apareceu cinco dias depois, aqui nesta pr aia mesmo!) - deu um grito para as ondas e espumas - "Joãozinho!".
Banhistas distraídos foram interrogados - se viram algum menino entrando no mar - o pai e o amigo partiram para um lado e outro da praia, a Mãe ficou ali, trêmula, nada mais existia para ela, sua casa e família, o marido, os bailes, os Nunes, tudo era ridículo e odioso, toda essa gente estúpida na praia que não sabia de seu filho, todos eram culpados - "Joãozinho !" - ela mesma não tinha mais nome nem era mulher, era um bicho ferido, trêmulo, mas terrível, traído no mais essencial de seu ser, cheia de pânico e de ódio, capaz de tudo - "Joãozinho !" - ele apareceu bem perto, trazendo na mão um sorvete que fora comprar. Quase jogou longe o sorvete do menino com um tapa, mandou que ele ficasse sentado ali, se saísse um passo iria ver, ia apanhar muito, menino desgraçado!
O pai e o amigo voltaram a sentar, o menino riscava a areia com o dedo grande do pé, e quando sentiu que a tempestade estava passando fez o comentário em voz baixa, a cabeça curva, mas os olhos erguidos na direção dos pais:
- Mãe é chaaata...
Maio, 1953
-------
Rubem Braga é considerado o melhor cronista brasileiro de todos os tempos desde Machado de Assis.
Texto extraído do livro "A Cidade e a Roça", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1964, pág. 57.
Fala aí!
No próximo domingo, 11 de maio - Dia das Mães, no Brasil.
***
Mãe
(Crônica dedicada ao Dia das Mães,
embora com o final inadequado, ainda que autêntico.)
Rubem Braga
O menino e seu amiguinho brincavam nas primeiras espumas; o pai fumava um cigarro na praia, batendo papo com um amigo. E o mundo era inocente, na manhã de sol.
Foi então que chegou a Mãe (esta crônica é modesta contribuição ao Dia das Mães), muito elegante em seu short, e mais ainda em seu maiô. Trouxe óculos escuros, uma esteirinha para se esticar, óleo para a pele, revista para ler, pente para se pentear - e trouxe seu coração de Mãe que imediatamente se pôs aflito achando que o menino estava muito longe e o mar estava muito forte.
Depois de fingir três vezes não ouvir seu nome gritado pelo pai, o garoto saiu do mar resmungando, mas logo voltou a se interessar pela alegria da vida, batendo bola com o amigo. Então a Mãe começou a folhear a revista mundana - "que vestido horroroso o da Marieta neste coquetel" - "que presente de casamento vamos dar à Lúcia? tem de ser uma coisa boa" - e outros pequenos assuntos sociais foram aflorados numa conversa preguiçosa. Mas de repente:
- Cadê Joãozinho?
O outro menino, interpelado, informou que Joãozinho tinha ido em casa apanhar uma bola maior.
- Meu Deus, esse menino atravessando a rua sozinho! Vai lá, João, para atravessar com ele, pelo menos na volta!
O pai (fica em minúscula; o Dia é da Mãe) achou que não era preciso:
- O menino tem OITO anos, Maria!
- OITO anos, não, oito anos, uma criança. Se todo dia morre gente grande atropelada, que dirá um menino distraído como esse!
E erguendo-se olhava os carros que passavam, todos guiados por assassinos (em potencial) de seu filhinho.
- Bem, eu vou lá só para você não ficar assustada.
Talvez a sombra do medo tivesse ganho também o coração do pai; mas quando ele se levantou e calçou a alpercata para atravessar os vinte metros de areia fofa e escaldante que o separavam da calçada, o garoto apareceu correndo alegremente com uma bola vermelha na mão, e a paz voltou a reinar sobre a face da praia.
Agora o amigo do casal estava contando pequenos escândalos de uma festa a que fora na véspera, e o casal ouvia, muito interessado - "mas a Niquinha com o coronel? não é possível!" - quando a Mãe se ergueu de repente:
- E o Joãozinho?
Os três olharam em todas as direções, sem resultado. O marido, muito calmo - "deve estar por aí", a Mãe gradativamente nervosa - "mas por aí, onde?" - o amigo otimista, mas levemente apreensivo. Havia cinco ou seis meninos dentro da água, nenhum era o Joãozinho. Na areia havia outros. Um deles, de costas, cavava um buraco com as mãos, longe.
- Joãozinho!
O pai levantou-se, foi lá, não era. Mas conseguiu encontrar o amigo do filho e perguntou por ele.
- Não sei, eu estava catando conchas, ele estava catando comigo, depois ele sumiu.
A Mãe, que viera correndo, interpelou novamente o amigo do filho. "Mas sumiu como? para onde? entrou na água? não sabe? mas que menino pateta!" O garoto, com cara de bobo, e assustado com o interrogatório, se afastava, mas a Mãe foi segurá-lo pelo braço: "Mas diga, menino, ele entrou no mar? como é que você não viu, você não estava com ele? hein? ele entrou no mar?".
- Acho que entrou... ou então foi-se embora.
De pé, lábios trêmulos, a Mãe olhava para um lado e outro, apertando bem os olhos míopes para examinar todas as crianças em volta. Todos os meninos de oito anos se parecem na praia, com seus corpinhos queimados e suas cabecinhas castanhas. E como ela queria que cada um fosse seu filho, durante um segundo cada um daqueles meninos era o seu filho, exatamente ele, enfim - mas um gesto, um pequeno movimento de cabeça, e deixava de ser. Correu para um lado e outro. De súbito ficou parada olhando o mar, olhando com tanto ódio e medo (lembrava-se muito bem da história acontecida dois a três anos antes, um menino estava na praia com os pais, eles se distraíram um instante, o menino estava brincando no rasinho, o mar o levou, o corpinho só apareceu cinco dias depois, aqui nesta pr aia mesmo!) - deu um grito para as ondas e espumas - "Joãozinho!".
Banhistas distraídos foram interrogados - se viram algum menino entrando no mar - o pai e o amigo partiram para um lado e outro da praia, a Mãe ficou ali, trêmula, nada mais existia para ela, sua casa e família, o marido, os bailes, os Nunes, tudo era ridículo e odioso, toda essa gente estúpida na praia que não sabia de seu filho, todos eram culpados - "Joãozinho !" - ela mesma não tinha mais nome nem era mulher, era um bicho ferido, trêmulo, mas terrível, traído no mais essencial de seu ser, cheia de pânico e de ódio, capaz de tudo - "Joãozinho !" - ele apareceu bem perto, trazendo na mão um sorvete que fora comprar. Quase jogou longe o sorvete do menino com um tapa, mandou que ele ficasse sentado ali, se saísse um passo iria ver, ia apanhar muito, menino desgraçado!
O pai e o amigo voltaram a sentar, o menino riscava a areia com o dedo grande do pé, e quando sentiu que a tempestade estava passando fez o comentário em voz baixa, a cabeça curva, mas os olhos erguidos na direção dos pais:
- Mãe é chaaata...
Maio, 1953
-------
Rubem Braga é considerado o melhor cronista brasileiro de todos os tempos desde Machado de Assis.
Texto extraído do livro "A Cidade e a Roça", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1964, pág. 57.
Fala aí!
1.5.03
Mulheres
(Texto de Luis Fernando Veríssimo)
Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação.
Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez homem às pressas, pensando: "Depois eu
melhoro", e mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou mulher, que é "melhor" em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas,e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o
homem só para não jogar barro fora.
Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça.
Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o fato das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço.
Em certas tribos nômades do Meio Oriente ainda se acredita que a primeira mulher,foi originariamente, um camelo, que na ânsia de
servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual.
No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono.
E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados,podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem.
Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica. Hoje se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primeiro, e é o descendente direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio atual - e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio.
É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não! Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo-sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em linguagem de hoje: "Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna".
Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeitão, deu a entender que queria procriar com ela. "Agh maakgrom grom", ou coisa
parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir. É preciso lembrar que Ugh,embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos. A mulher disse alguma coisa como "Você não se enxerga, não?" e afastou- se, enojada, deixando Ugh desolado. Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou: "Espera uns 10 mil anos pra você ver!", e de volta à caverna exortou seus companheiros a aprimorarem o processo evolutivo.
Desde então, o objetivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar assaltantes.
Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado
e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.
Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a
criação?
Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta.
Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter colecionado provas
irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa.
Ultimamente têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas, como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado, impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista.
Quando comentamos o fato, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então
roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como "ioink, ioink"que nos deixam arrepiados e sem argumentos. Claramente combinaram isto.
Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra. É o que fazem quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir.
Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para
transmitir instruções do Planeta Mãe. E têm seus golpes baixos.
Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros, suas bocas. Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes.
Aquela curva suave da coxa quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso!
E as armas químicas - perfumes, loções, cremes.
São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo.
Breve saberemos o que elas querem.
Se depois de sair este artigo eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, com um sorriso, minha tese
está certa. Se nada me acontecer, é sinal de que a tese também está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento. O que
elas querem, afinal? Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à
conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará jeito.
Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida conosco. E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada? Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh.
Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética.
Como é que se faz uma mulher mesmo???

Fala aí!
(Texto de Luis Fernando Veríssimo)
Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação.
Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez homem às pressas, pensando: "Depois eu
melhoro", e mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou mulher, que é "melhor" em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas,e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o
homem só para não jogar barro fora.
Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça.
Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o fato das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço.
Em certas tribos nômades do Meio Oriente ainda se acredita que a primeira mulher,foi originariamente, um camelo, que na ânsia de
servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual.
No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono.
E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados,podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem.
Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica. Hoje se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primeiro, e é o descendente direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio atual - e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio.
É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não! Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo-sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em linguagem de hoje: "Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna".
Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeitão, deu a entender que queria procriar com ela. "Agh maakgrom grom", ou coisa
parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir. É preciso lembrar que Ugh,embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos. A mulher disse alguma coisa como "Você não se enxerga, não?" e afastou- se, enojada, deixando Ugh desolado. Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou: "Espera uns 10 mil anos pra você ver!", e de volta à caverna exortou seus companheiros a aprimorarem o processo evolutivo.
Desde então, o objetivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar assaltantes.
Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado
e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.
Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a
criação?
Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta.
Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter colecionado provas
irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa.
Ultimamente têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas, como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado, impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista.
Quando comentamos o fato, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então
roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como "ioink, ioink"que nos deixam arrepiados e sem argumentos. Claramente combinaram isto.
Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra. É o que fazem quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir.
Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para
transmitir instruções do Planeta Mãe. E têm seus golpes baixos.
Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros, suas bocas. Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes.
Aquela curva suave da coxa quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso!
E as armas químicas - perfumes, loções, cremes.
São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo.
Breve saberemos o que elas querem.
Se depois de sair este artigo eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, com um sorriso, minha tese
está certa. Se nada me acontecer, é sinal de que a tese também está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento. O que
elas querem, afinal? Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à
conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará jeito.
Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida conosco. E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada? Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh.
Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética.
Como é que se faz uma mulher mesmo???
Fala aí!